Cleyton Cabral

Nunca é tarde para fazer textão
by Cleyton Cabral

Para aprender a andar de bicicleta. Ou uma nova língua. Jogar xadrez. Nunca é tarde para assistir aquele filme que todo mundo viu. Um clássico, como pode?! Eu vi “Uma linda mulher” um dia desses. Chorei. Nunca é tarde pra botar tudo pra fora. Chorar na frente dos amigos ou com um livro no ônibus. Nunca é tarde para rever os arquivos, jogar aquele amontoado de papel que só faz ocupar espaço. Vai querer sua via, senhor? Não, obrigado. Nunca é tarde para recomeçar. Começar do zero. Voltar duas casas. Resolver o cubo mágico. Aprender uma receita nova. Queimar o feijão. Nunca é tarde para entender os traumas, descobrir a origem deles, juntar as peças do quebra-cabeça. Nunca é tarde pra mandar um Foda-se em alto e bom som. Para deixar bilhetinhos na mesa do colega da firma. Ou chocolate. Ou os dois. Nunca é tarde para escrever um poema. Ou reescrever sua história. Pedir desculpa. Mais um copo. Garçom, mais uma. Nunca é tarde pra pedir um petisco. Um filé com fritas. A conta. O Uber. Para tirar a roupa de baixo. Andar pelado pela casa. Dormir de conchinhas. Nunca é tarde para olhar para o espelho e gostar do que se vê. Se amar. Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu. Nunca é tarde para mandar coraçãozinho, tô com saudades, te amo. Nunca é tarde para amar. O amor pode surgir aos 30 anos. Vá por mim. Tarde, nunca é.

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